Nos caminhos de Iansã

Esse texto, eu o
encontrei no início desse ano quando buscava mais informações sobre o orixá
Iansã (Yansã, Oyá...), acabei arquivando sem ler. Alguns dias atrás, matutava
sobre a importância das referências femininas, por coincidência ou não,
enquanto analisava os trabalhos sobre gênero (objeto do meu mestrado) encontrei
o resumo desse texto. Tive que voltar ao meu arquivo...
O artigo aborda
a subjetividade de mulheres que vivenciaram violência por parceiros. Eu não me
arriscarei a falar da parte teórica da psicologia pois não é a minha área, vou
me deter às oficinas realizadas com as mulheres na Ong Maria Mulher, pautadas
em elementos da religião africana.

No segundo e
terceiro encontro com essas mulheres, foram contadas as histórias das yabás; observadas
imagens das deusas africanas e organizado uma ritualização. As pesquisadoras perceberam que essas oficinas
afloraram nas mulheres um discurso diferente do inicial. Ao se comparar com as
yabás e encarnar o papel dessas, vestindo-se como tais, as mulheres se
reconheciam: “que a gente e vive, ama, que a
gente é ciumenta, que a gente tem filho, né?” “Que a gente tem algum poder.” “
Então é tudo bem parecido, nós, com elas.”.
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Tela de André Luiz (http://andreluizateliedepinturas.blogspot.com.br/) |

Iansã, foi a
yabá escolhida como representante “Somos todas Iansãs” pela identificação das
mulheres com essa deusa: “as filhas de Iansã não fogem da briga”. São
sedutoras, bonitas, charmosas, mães protetoras e mulheres apaixonadas. Iansã é
a encarnação do desejo de potência em sua plenitude, cujas manifestações se
expressam em depoimentos do tipo: “somos todas mulheres, vivemos,amamos,
choramos, temos filhos e cuidamos deles,somos fortes”.
Após as
oficinas, essas mulheres se sentiram estimuladas a tomar outros rumos, se
indignaram contra a violência mesmo quando
as instituições (Estado, leis, serviços) a legitimassem, passaram a ser
encontrar fora da ONG, se inseriram em cursos, começaram a traçar planos
profissionais, superaram o problema de agressão física, etc.
O último encontro
foi filmado por um filho de uma das participantes (o menino era deficiente
auditivo e rompeu suas limitações físicas), trazendo à cena a figura dos Ibejis...
O artigo
encontra-se na íntegra no site: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-71822005000200011&script=sci_arttext
Referência:
RAMAO, Silvia Regina; MENEGHEL, Stela Nazareth; OLIVEIRA, Carmen. Nos caminhos de Iansã: cartografando a subjetividade de mulheres em situação de violência de gênero. Psicol. Soc., Porto Alegre, v. 17, n. 2, Aug. 2005
Referência:
RAMAO, Silvia Regina; MENEGHEL, Stela Nazareth; OLIVEIRA, Carmen. Nos caminhos de Iansã: cartografando a subjetividade de mulheres em situação de violência de gênero. Psicol. Soc., Porto Alegre, v. 17, n. 2, Aug. 2005
Acompanho e sou apaixonado pelos posts do blog
ResponderExcluirLindo Trabalho
http://paraleloinformacoes.blogspot.com.br/
Oi Jaime,
ResponderExcluirGratidão pela mensagem. É gostoso saber que as pessoas curtem... Estou lendo o post sobre o fim do mistério do quadro de Monalisa no seu blog. Sucesso!!!!